segunda-feira, 14 de julho de 2008

Uso de Suplementos Alimentares

Inicialmente os suplementos alimentares foram produzidos para serem práticos, terem volume reduzido em relação à disponibilidade de calorias e fornecerem macro e micronutrientes isolados, não encontrados na natureza sob a concentração ou com a bio-disponibilidade desejada.

Em filmes de ficção científica do passado, várias cenas eram mostradas nas quais os protagonistas se alimentavam apenas de preparados em pó ou em pílulas. Estas cenas anteciparam o que se tornaria realidade tempos depois para vários indivíduos, como astronautas, atletas e viajantes solitários. O célebre navegador brasileiro Amir Klink identificou a necessidade de redução do espaço necessário para carregar e preparar alimentos comuns em suas ousadas jornadas pelos mares do mundo. Em várias reportagens, o famoso aventureiro relatou que ingeriu diversos preparados alimentares modificados, concentrados ou desidratados, em sua famosa travessia solitária pelo Oceano Atlântico.

A crescente busca pela qualidade de vida, em contraste com a exigência cada vez maior de performance, seja atlética ou laboral, levou a uma utilização cada vez maior destes produtos pelas pessoas comuns. Havia algo novo disponível e que poucos tinham embasamento científico sobre o assunto. Mesmo assim, os suplementos alimentares se tornaram uma verdadeira febre entre os praticantes de exercícios físicos, a ponto dos consumidores os utilizarem de forma inadequada. Sem o chamado "alicerce", que é a dieta equilibrada, qualquer objetivo desejado encontra muitas dificuldades de ser alcançado. E se o for, não permanece muito tempo em pé.

Observando estas dificuldades, a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte se posicionou, por meio de um documento dirigido ao público leigo e também acadêmico, a cerca das recomendações nutricionais referentes ao uso de recursos ergogênicos.
Na clínica diária da especialidade de medicina do esporte, freqüentemente os suplementos alimentares são prescritos, tanto para atletas como para praticantes de exercícios físicos com objetivos de saúde ou estética. Eles cumprem uma função parecida com a dos medicamentos para os médicos de outras especialidades. Identificada uma necessidade em que o manejo dos suplementos seja interessante por diversos motivos de ordem médica, fisiológica ou de praticidade, a prescrição sempre leva em consideração as características individuais do paciente.
Para uma prescrição de qualidade e efetividade, o médico ou nutricionista, com um olhar baseado em evidências clínicas, deve entender a realidade do cliente sobre os seguintes itens:
- bagagem genética- condição de saúde prévia (leia-se exame clínico bem realizado e exames complementares necessários)- padrão alimentar previamente utilizado- composição corporal (padronização internacional)- treinos prévios- rotina de vida- metas a serem alcançadas
A partir destas informações, está gerada a capacidade de identificar a necessidade de suplementação individual, estabelecendo-se uma relação positiva entre custo e benefício efetivo. Desta forma, o médico ou nutricionista prescreve, carimba e assina a prescrição. Pense nisto na hora de ter a indicação de uma pessoa não habilitada !
Sempre se deve partir do princípio que para um suplemento cumprir realmente sua função, ou seja, a de realmente "suplementar", a pessoa que o ingira deve ter uma alimentação equilibrada, com os nutrientes necessários para uma vida saudável, bem fracionada durante o dia, que evite alimentos prejudiciais aos seus objetivos e que hajam os macronutrientes essenciais e oportunos em relação à atividade física. Lembre-se que nada substitui de forma efetiva uma alimentação de qualidade .

Existem inúmeros casos em que a utilização é extremamente benéfica, de forma que a pessoa recebe um alimento-chave, de forma prática e rápida e em uma hora oportuna, essencial para o alcance de determinado objetivo. Comumente esta é a indicação mais freqüente na conduta no consultório de medicina do esporte.

Os momentos mais oportunos para a ingestão de suplementos são os períodos pré e pós treino, durante treinos longos (superiores a 90 minutos) ou mesmo em determinadas horas do dia.

Para se ter uma idéia, atletas que treinam para o Iron Man necessitam de uma média de 5000 a 6000 kcal diárias, durante diversos períodos do ano, onde treinam com maior volume. Em uma prova, chegam a necessitar de 7000 a 8000 kcal para completarem uma prova que tem 3800 m de natação, 180 km de ciclismo e no final, apenas uma maratona para ser corrida ! Os melhores atletas a completam com duração pouco superior a 8 hs, mas muitos ultrapassam 12 horas em atividade física contínua

Como fornecer todo este aporte calórico senão por meio de uma suplementação eficiente, de forma que o atleta possa se alimentar sem parar de correr ou pedalar ? Este raciocínio vale também para o período de treinos, onde é humanamente impossível a ingestão de tamanho aporte calórico pelas vias normais, devido principalmente ao tempo necessário para a digestão. Afinal o atleta tem que treinar !

Cumpridas as necessidades de informação e reeducação alimentar do cliente (descritas anteriormente neste texto) e garantida uma relação positiva entre o custo e benefício, é aproveitada a oportunidade de maximização dos resultados desejados por meio da suplementação alimentar baseada em evidências científicas

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